Um mobilizador das pessoas com deficiência

Postado em Bem-vindos em setembro 11, 2010 por tancycosta

Estava pesquisando um tema para meu Mestrado, e descobri que uma pesquisa com um tema parecido já havia sido feito. Ai resolvi ler esta dissetação concluída em 2001, com o título “A visão parcial da deficiência na imprensa: revista Veja (1981-1999)”. E lendo esta dissertação descobri mais sobre um pouco da história de um dos “primeiros” militantes da causa da pessoa com deficiência.

Rui e Alito Alessi no primeiro workshop "danceability"
Foto: Gil Grossi/ 1997

Descobri ainda que foi criado um centro de informação em homenagem a ele, um centro que reune referências bibliográficas tanto de livros, como de artigos e trabalhos acadêmicos. Vale a pena passar lá  no Centro de Informação Rui Bianchi Nascimento e conferir . Se tivesse conhecido antes enriqueceria muito meu TCC, meu livro. Ele conclui algo importante que muito dos estigmas, preconceitos advem das fontes de informação utilizadas, familiares, alguns especialistas e até pessoas com deficiência que se enxergam com limitações, ou como superheróis, imagens que não correspondem a realidade. 

“Só mais tarde fui compreender que esse tipo de exaltação nada mais é que uma forma de exteriorizar o preconceito dizendo: vejam só, apesar da cadeira de rodas conseguiu estudar e completar um curso; quando na verdade isso deveria ser natural numa sociedade com igualdade de oportunidades.” (Frase retirada do anexo da dissertação de Rui Bianchi Nascimento).

Rui foi um dos fundadores do MDPD (Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes),ele participous de outros movimentos ligados a luta das pessoas com deficiência. Representou o Brasil na Assembléia Latino Americana da DPI (Disabled Peoples International), organizando em seguida, e recebendo em São Paulo, a Assembléia Latino Americana. Em 1990, fundou o CEDIPOD, Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência. E participous desde o início da criação do Conselho Estadual e depois do Conselho Municipal. Rui foi alguém que lutou boa parte da vida pelo movimento das pessoas com deficiência desde o início, mobilizando politicamente tanto na prática, quanto na parte acadêmica. Por isso, a secretária Linamara Battistella homenageou Rui, usando seu nome para o Centro de Informação.

Turismo acessível

Postado em Bem-vindos em agosto 24, 2010 por tancycosta

Semana passada acabei viajando para apresentar para parentes São Paulo, Campos do Jordão e o Rio de Janeiro. Tentei observar a acessibilidade dos lugares pelos quais passei. Até, tirei algumas fotos para mostrar a realidade de alguns pontos turísticos. E constatei que geralmente os ambientes estão mais acessíveis para pessoas que utilizam cadeira de rodas, faltando acessibilidade para deficientes visuais.

No auditório Claúdio Santoro existe banheiro adaptado, elevador que desce aos primeiros lugares do auditório. Mas, só verifiquei lugares marcados para cadeirantes nas últimas fileiras, e não existem lugares no meio. Porém, no museu a ceú aberto é meio difícil o trajeto. O elevador não tem braille, nem sistema de voz para deficientes visuais.

 No Rio de Janeiro visitamos dois pontos turísticos, os mais visitados, primeiro o Pão de Açucar e depois o Cristo Redentor. Ao lado da bilheteria do bondinho existe um elevador que leva até a plataforma de embarque para o mesmo. Não vi o equipamento que auxilia o embarque do bonde, porém pesquisando encontrei uma foto, de um equipamento apropriado para isso, no blog “Mão na roda”. Lá, existem rampas para poder apreciar a vista de vários ângulos, e também para entrar  no “cinema” que passa um documentário sobre a história do bondinho.

Porém, no segundo trecho o elevador que levava a um dos patamares do mirante, estava em manutenção. No Pão de Açucar, não encontrei nenhuma pessoa com cadeira de rodas. Outro lugar interessante que fica bem próximo do bondinho é o Instituto Bejamin Constant, uma das primeiras escolas de ensino para pessoas com deficiência, na época do discurso de “escolas especiais”.

Já no corcovado, apesar de não estar tão bem equipado quanto a acessibilidade, existiam três cadeirantes. Até um pedaço da serra podemos ir de carro, depois deve-se ir de van, que não são adaptadas. Quando se chega no Corcovado existe um elevador para um trecho e depois escada rolante. Mas, os funcionários auxiliam os cadeirantes segurando a cadeira.

A nova geração pode quebrar paradigmas

Postado em Crianças com as tags em agosto 4, 2010 por tancycosta

Cumprindo meu compromisso, voltei a escrever no blog. A ideia para o post veio com as experiências do dia-a-dia. Ontem, estava com crianças contando história para elas, uma atividade que me deixa muito feliz e onde aprendo muito. Tinha escolhido uma história do Ziraldo chamada “Flicts” de uma cor que era diferente e não era aceita pelas outras.

 Depois, refletindo em cima de uma história aparentemente banal, além da mensagem de praticar a tolerância fiz um link, pensando sozinha, que a história  trabalha nas crianças a empatia com diferentes culturas, religiões, etnias e condições físicas. Sempre penso e vejo que as crianças não tem nenhum preconceito, estes são inseridos pela bagagem cultural na educação.

Crianças não fazem diferença por cor, raça, aspecto social, econômico, elas são simples em suas relações. A medida que crescem e recebem os valores e que vão mudando esta realidade e se tornam menos tolerantes. Portanto, penso que a inclusão deve ser feita nesta fase da educação infantil, para que elas aprendam a trabalhar com colegas de cadeira de rodas, com deficiência visual, deficiência auditiva, intelectual e etc.

A inclusão começa com as crianças

Se elas receberem esta educação pelos pais e pela escola serão adultos mais solidários, cidadãos, humanos e altruístas. Quando convivemos com pessoas com deficiência conseguimos entender suas limitações, perceber as nossas também. Que as vezes ao auxiliar acabamos atrapalhando por nossa falta de conhecimento.

E nos percebemos como os pais repreendem as crianças e começam a criar pré-conceitos. Me lembro quando era pequena passeando em shoppings, lugares públicos e ai passava uma criança, adulto com algum tipo de deficiência e eu olhava com curiosidade, afinal crianças querem entender o mundo. Minha mãe me repreendia: Não Olhe! Se não vão achar que estamos comentando. E aprendi a evitar olhar,  mas cresci e percebi que devemos olhar todas pessoas com naturalidade.

Boneco que respeitam diversidade são exemplo de inclusão

Na infância temos curiosidade, percebemos as diferenças mas não separamos, geralmente nos incluimos nas brincadeiras. Então, falo com os pais, professores que vocês não devem repreender a criança e explicar nossas diferenças, limitações para criar crianças saudáveis e amorosas. Lógico, que se seu filho estiver incomodando as pessoas deve-se conversar, afinal eles sempre entendem e logo aprendem. As crianças são nosso futuro e se quizermos viver em um mundo mais inclusivo devemos começar por elas. 

Quatro meses depois…voltei

Postado em retorno em julho 23, 2010 por tancycosta

Quatro messes se passaram e como fazemos com todas promessas de Ano Novo, falhamos ao começar o regime, ou para dar continuidade a projetos importantes, como este blog, pela correria do dia-a-dia. Nestes meses muitas coisas mudaram, a novela “Viver a Vida” terminou, vivemos um momento de “escassez” de notícias sobre inclusão de pessoas com deficiência, apesar de perceber que existe mais espaço do que nos anos anteriores.

Semestre passado foi complicado e não consegui manter nenhuma periodicidade ao blog, por conta da Pós que estou fazendo na USP, em Jornalismo. Mas, como agora já defini um tema de projeto que está totalmente ligado ao assunto que tanto gosto e que quero aprofundar meus conhecimentos. Resolvi fazer o blog voltar a funcionar tentando assumir o compromisso comigo mesma e com meus leitores de postar pelo menos mensalmente, nos meses mais difíceis.

Estou motivada a escrever mais, nem que sejam textos mais curtos, com informações importantes e não tão factuais. Afinal, percebo ainda que existe uma demanda por estes assuntos, que ainda falta informação para muitas pessoas a respeito desta questão. Então, reafirmo meu compromisso de fazer este blog ir para frente.

A ficção e a realidade

Postado em Bem-vindos em março 5, 2010 por tancycosta

Há algum tempo estava com vontade de falar sobre a novela Viver a Vida. Desde que soube que a atriz Aline Moraes interpretaria uma cadeirante, decidi que assistiria a trama do Manuel Carlos. Já fui noveleira, hoje a única que assisto é essa, pois depois de pesquisar sobre acessiblidade para o TCC, me interessei cada vez mais pela questão. E como comunicóloga queria analisar como seria abordado o assunto na teledramaturgia.

Acredito que só o fato do assunto ser tratado em uma novela já é um avanço. Quanto mais informação dissiminada, mais serão quebradas estas barreiras do preconceito e da ignorância que separam as pessoas com deficiência. De alguma forma, pessoas que não tem acesso à informação por outros veículos internet, jornais, estão tendo a oportunidade de pensar nesta questão. E não é  a primeira vez que o Manuel Carlos faz isso, em sua penúltima novela existia a personagem de uma menina com sindrome de down.

Maneco, como é conhecido pelos próximos,  adora misturar a ficção com a realidade, usando depoimentos e histórias reais que mostrem a  superação dos seres humanos com diferentes problemas sociais. Mas, ao mesmo tempo a novela não mostra as barreiras que as pessoas com deficiência com problemas financeiros passam. Acredito que é uma falha, pois existem problemas no transporte público, no acesso a tecnologia assistiva, à uma casa adaptada e etc.

Mas, acho interessante quando ele coloca problemas reais como é ir em lojas sem provadores adaptados, sobre a sexualidade, sobre a não aceitação de uma nova condição de vida, das adaptações, de equipamentos que facilitam comer, se maquiar e etc. Lógico, que as novelas são folhetins que trabalham coma ficcção, pois se mostrasse a realidade se transformaria em jornalismo. Por isso, a persogem é rica, tem mórdomo que a carrega e uma equipe de médica, fisioterapeuta como suporte.

E mês passado foi criado um blog real para Luciana, me pergunto até que ponto é marketing? Resolvi visitá-lo para conhecer antes de criticar. O blog tem recebido diariamente centenas de comentários, mas o que mais me chamou atenção é que praticamente todos são encaminhados para personagem Luciana, e não para atriz Aline Morais. O que preocupa é até que ponto as pessoas entendem que ele é uma ferramenta de propaganda.  Porém, ele também pode servir como serviço, divulgando informações de interesse público de como funciona a hidroterapia, do projeto Praia para Todos, como percebi que é utilizado também com esta finalidade. Talvez seja somente uam tendência de comunicação, de usar todos os meios para divulgar a novela e informações importantes.

Todo mundo merece acesso a praia

Postado em Bem-vindos em fevereiro 19, 2010 por tancycosta

O carnaval passou, agora volto a postar com mais assiduidade, afinal o ano começa depois desta data tão importante para o calendário brasileiro. É o carnaval, que nos faz lembrar de praia, piscina, mar, água de cocô e etc. Pensando na acessibilidade das praias, neste verão, foram criados projetos de praias acessíveis. Afinal, todo mundo merece e tem o direito de aproveitar a vida, de entrar no mar,  andar sobre a areia,  praticar esportes e curtir o verão. A areia é um grande vilão para as cadeiras de rodas normais.

Foto: site Praia para Todos

       Com apoio da sub-prefeitura da Barra, a ONG Espaço Novo Ser viabilizou o projeto “Praia para todos”, no Rio de Janeiro,  que conta com rampa, piso tátil, cadeira anfíbia (que pode entrar na água), sinalização sonora e estacionamento reservado. Além disso, existe toda infra-estrutura para os cadeirantes praticarem vários esportes adaptados, como surf, vôlei sentado, curso de mergulho, peteca e frescobol.  O projeto foi inaugurado em janeiro, no posto 3 da Barra.

Foto: Carolina Lauriano/ G1

       Agora, as praias paulistanas também vão ter um projeto parecido, criado pela Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência, no dia 15 de fevereiro, na Praia Grande. Serão disponibilizadas as cadeiras de rodas anfíbias, facilitando o acesso ao mar, também na Ilha Bela  e Santos. Eles pretendem entregar mil cadeiras como essa em várias praias do estado de São Paulo. As cadeiras são de plástico, suas rodas grandes e grossas permitem que ande na areia e flutue na água. O serviço estará disponível até 31 de março, das 9hs às 17 hs e para utilizar a pessoa e o acompanhante devem apresentar documentos.

Áudio-descrição: um recurso importante!

Postado em Bem-vindos em fevereiro 9, 2010 por tancycosta

Queria compartilhar um site muito interessante para pessoas com deficiência visual. Se chama Blindtube, e é um portal, com vídeos, que usa o recurso da áudio-descrição. Este recurso ainda é pouco usado, já fizeram peças de teatro e óperas com áudio-descrição, mas ele é importantíssimo para deficientes visuais, pois o narrador faz uma leitura das cenas, fezendo descrição de figurinos, expressões dos personagens, para quem está escutando. Assim, a pessoa pode conseguir melhor o contexto de um programa, de uma peça, filme e etc. Isso dá certa independência para quem tem def. visual, pois não precisa perguntar para quem está assistindo junto. Seria muito interessante se as emissoras de TV oferecessem este serviço, como uma tecla sap. Muitas vezes fazem até tradução quando um programa está em inglês.

Uma dica para quem se interessa por arte é a exposição, localizada na passarela da Estação da Luz , “O mistério tempo em poesias”, que aontece entre os dias 18 e 28 de fevereiro. A exposição é acessível para pessoas com mobilidade reduzida, lá pessoas com def. visual poderam usar do recurso da àudio-descrição para acompanhar performances teatrais e vídeo. Além de contar com braille, interprétes de LIBRAS e as pessoas ainda podem ter a experiência sensorial, usando vendas para explorar outros sentidos.
Mais informações no blog Audiodescrição

Movimento superação, todos buscando melhor acessibilidade

Postado em Bem-vindos em fevereiro 3, 2010 por tancycosta

 Andando no centro da cidade vejo uma cadeira de rodas, logo penso, estou no caminho certo para encontrar os membros do movimento Superação. Andar pelas calçadas do centro paulistano não é uma tarefa fácil, mas parece melhor quando se tem a companhia de amigos. Chego e já existe uma pequena concentração de pessoas, logo os organizadores do Movimento superação já começam a distribuir camisetas com o logo da ong, um dragão com uma cadeira de rodas, estilizado.

A passeata parece um encontro de ex-amigos, já que muitos se conhecem das lutas travadas, no passado, para conseguir a inclusão de pessoas com deficiência. Pessoas de todos estilos, jovens, crianças e adultos em busca de melhor acessibilidade, de diminuir o preconceito. Ali todos são “assim como você”, como é o nome do blog do jornalista, Jairo Marques da Folha. Enquanto isso, um cão guia, repousava tranquilamente no momento que seu dono conversava. Sorrisos, abraços, muita conversa para por em dia, e como em qualquer lugar várias rodinhas de pessoas que se conhecem de longa data, da internet, de alguma instituição. A alegria pode ser sentida ao ver estes encontros, assim como a força de vontade de derrubar as barreiras físicas.

Luzes, câmeras fotográficas, flashes e câmeras de vídeo buscavam espaço no meio da multidão de pessoas, buscando retratar a manifestação, contar histórias reais, fixar um instante, um detalhe. Lá estavam a equipe do “profissão repórter”, outras redes e fotógrafos de agências e veículos. Demonstrando que cada vez a mídia está dando mais espaço para a questão, mesmo que seja somente, porque dia 3 de dezembro é o Dia da luta das pessoas com deficiência.

Muitos chegam, a fanfarra da Apae de Aparecida começa a tocar e encantar, mostrando que qualquer pessoa com disciplina pode tocar, dançar e encantar a todos. O maestro coordena os dez meninos e meninas, emociona e faz lembrar de um tempo em que era comum fanfarras em escolas. O mais interessante é perceber que dois terços são de pessoas sem deficiência, de familiares, amigos e voluntários que ajudam nesta luta por melhores condições de vida, por dignidade e respeito.

Cerca de 200 pessoas do movimento saíram da praça José Gaspar e caminharam até a praça da República. A passeata parou ruas e avenidas importantes, para ecoar os gritos por mais acesso, os refrãos da música do projeto Tupã, “Superar é o esquema para os problemas solucionar”.  Até sotaques argentinos eram possíveis de escutar, de argentinos do movimento Superación argentino. Todos alegres, radiantes, gritando com força, segurando uma faixa pedindo por inclusão.

Os cães guias andavam imponentes como fosse um passeio. As pessoas que andavam nas calçadas olhavam com curiosidade, perplexidade e estranhamento. Parecia um show, uma mistura de realidade e ficção, já que gravavam cenas da manifestação para a novela “Viver a vida”, a vida imita a arte, mas muitas vezes acontece o contrário.

O evento terminou na praça da República bem pertinho a sede da prefeitura de São Paulo. É o poder público tem que olhar de outra forma. No meio da aglomeração estava uma senhora simples, sem camiseta do movimento superação, com um gorro de papai Noel, bolsas e com uma boneca pendurada na cadeira. Ela segurava uma placa “ajuda-me a sobreviver por favor”, aparentava não ter as mesmas condições da maioria das pessoas que estavam ali. Ela se emocionou e foi as lágrimas quando escutou as músicas do organizador Billy.

Billy, o idealizador foi para o palco com um amigo, com violão em punho, do projeto Tupã falar sobre o movimento e cantar. Usando o Hip e Hop para motivar o pessoal, as crianças riam, todos chacoalhavam o balão com o logo do Superação. A letra fala de superar desafios, de não reclamar da vida, de se adaptar, da crença e da busca destas pessoas. Caminhando e cantando, estão eles braços dados, ou não, dominando as ruas da cidade.

Vídeo de apresentação

Postado em Bem-vindos em janeiro 29, 2010 por tancycosta

Este vídeo foi produzido para apresentação do meu TCC e ele pretendia que as pessoas se colocassem no lugar das outras.

Acredito que só quando nos colocamos no lugar do outro, conseguimos refletir sobre a questão com profundidade e nos mobiliza a modificar o olhar e a maneira de agir. São 24 milhões de brasileiros  que vivem esta realidade.

Sejam Bem-vindos!

Postado em Bem-vindos com as tags em janeiro 27, 2010 por tancycosta

Fiquei quase um ano e meio mergulhada tentando entender como funciona este universo das pessoas com deficiências, a falta de acessibilidade, os preconceitos, a superação, a adaptação entre outros. Aprendi muito, coisas que não teria conhecido se não tivesse observado pessoalmente como essas pessoas vivem nas cidades brasileiras, inacessíveis à uma grande parcela da população. Afinal, não só para pessoas com deficiência, como para quem têm mobilidade reduzida (gestantes, idosos e etc).

A idéia de escrever sobre este assunto (em meu TCC)  nasceu da observação  de um colega cadeirante que foi estudar em minha faculdade. Um dos prédios foi adaptado, com rampas, banheiro mais amplo e carteiras adaptadas. Porém, o outro edifício onde estão localizados os laboratórios de rádio e TV, não estava adapatado. Nele só existia o poço para um elevador, instalado na construção do prédio, assim este colega não tinha acesso as aulas práticas. Só poderia chegar carregado. Aquilo me deixava indignada, pois era um exemplo de que as leis de acessibilidade não eram colocadas em prática , principalmente na área da educação.

O TCC ganhou uma versão em audiolivro pensando na acessibilidade

Depois de muita briga, de toda burocracia que acontece quando estudamos em uma autarquia (Universidade municipal), quando este colega estava no penúltimo ano de faculdade foi instalado o elevador. Depois de começar a pensar na questão, comecei a observar que na cidade de Taubaté o acesso era muito difícil para um cadeirante. As vezes entre o caminho da Faculdade ,até o Centro encontrava algumas pessoas usando cadeiras de rodas, no meio da rua, não conseguiam usar as calçadas estreitas, com árvores, postes e buracos que atrapalhavam a passagem. Para quem não conhece a cidade é muito antiga, e suas calçadas são muito estreitas. E foi observando esta realidade arquitetônica que percebia a importância da acessibilidade, do desenho universal.

No final do ano passado, terminei o livro-reportagem “Em busca de um sentido”, que foi entregue para a banca afim de obter meu diploma de jornalista. Como já tinha todo um material pronto, pensei que deveria divulgá-lo de outra forma, para que mais pessoas pudessem se informar, tirar dúvidas, diminuir preconceitos, para isso criei o blog. Sei que existem inúmeros blogs sobre pessoas com deficiências. Como o blog “Assim como você” do colega  Jairo, que  me presenteou escrevendo um prefácio lindo no meu TCC. Mas, pretendo lançar um outro olhar, como uma jornalista. E como diria Jairo Marques,  o olhar de uma ”infiltrada” neste mundo “matrixiano”.

Sejam bem-vindos!

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